Carga
especial paga R$ 260 mil de pedágio para cruzar SP
Única composição rodoviária transportando uma
caldeira de 231 toneladas teve que desembolsar este valor em Tarifa Adicional
de Pedágio, uma exigência da Artesp para o transporte de cargas superpesadas.
Pedágio pago foi de mais de R$ 300,00 por quilômetro rodado
O
transporte de cargas superdimensionadas e superpesadas dentro do Estado de São
Paulo é um serviço que pode custar muito caro. E não é somente por causa do
alto grau de especialização das empresas que operam este tipo de carga,
geralmente a serviço de grandes indústrias ou encarregadas de transportar
enormes equipamentos para obras de infraestrutura.
Também entram nesta conta os exorbitantes valores
cobrados das transportadoras a título de Tarifa Adicional de Pedágio (TAP), uma
rubrica criada pela Artesp, a agência reguladora das rodovias paulistas, em uma
Resolução de 1997, para todos os veículos transportando carga excepcional com
peso acima de 45 toneladas.
Segundo uma das empresas que realizam este tipo de
serviços em São Paulo, antes da onda de concessões rodoviárias e da
proliferação de praças de pedágio por todo o Estado, a tarifa representava pouco
sobre o frete, mas hoje, com a grande maioria das principais rodovias paulistas
cobrando pedágio, este custo pode chegar a até 65% do valor total do frete.
Um exemplo sintomático da cobrança da TAP foi uma
operação realizada por esta empresa para o transporte de uma caldeira de 231
toneladas entre o Porto de Santos e a cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do
Sul, onde a Petrobras constroi uma fábrica de fertilizantes.
O equipamento chegou ao porto e, para cruzar o
Estado de São Paulo, entre Santos e a cidade paulista de Castilho, quase na
divisa como MS, a transportadora desembolsou um total de R$ 260 mil em pedágio.
O valor foi pago para trafegar por cerca de 900 quilômetros em rodovias
paulistas, passando por 18 praças de pedágio. Em outro exemplo, de transporte
de equipamento também para a Petrobras, a empresa pagou mais de R$ 2 mil de
pedágio por quilômetro rodado, sem qualquer amparo técnico.
“Este valor inclui, além da TAP, outras cobranças
instituídas pela Artesp em benefício das concessionárias rodoviárias. Esta
cobrança exorbitante chega a inviabilizar a fabricação de grandes equipamentos
industriais dentro do Estado, tirando a competitividade de São Paulo”, comenta
Henrique Zuppardo, empresário do transporte de cargas especiais, diretor Adjunto
da Especialidade de Transporte de Cargas Indivisíveis do SETCESP, Sindicato das
Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região.
Dentre as áreas mais prejudicadas pela cobrança das
altas tarifas adicionais de pedágio estão as que fabricam equipamentos como
transformadores, rotores de turbina, geradores, reatores, colunas, caldeiras,
fornos, todos destinados aos setores de energia, petróleo & gás, químico
& petroquímico, mineração, siderurgia e infraestrutura.
Representantes das transportadoras do segmento
contam que já tentaram dialogar com o Estado para a revogação da cobrança, mas
não tiveram sucesso, mesmo diante do argumento da inviabilização da indústria
de base paulista.
Segundo os transportadores, o pagamento da tarifa
adicional é feito antecipadamente, antes de a operação acontecer, gerando custo
financeiro adicional, pois a empresa só recebe o frete 30 dias após a descarga
do equipamento.
Além disso, não se encontra qualquer outro Estado
ou mesmo país que realize cobrança semelhante. De acordo com Henrique Zuppardo,
a cobrança feita pelas concessionárias não está embasada em qualquer argumento
técnico. “Para se ter uma ideia, o pedágio adicional também é cobrado quando o
veículo está vazio e ultrapassa o limite das 45 toneladas. Segundo a resolução
da Artesp, a cobrança é feita ‘considerando a necessidade de prover fonte de
receita operacional atualizada para o sistema rodoviário paulista’ e não existe
qualquer serviço extra que é prestado à transportadora para justificá-la”,
revela o empresário, com exclusividade para o Portal Transporta Brasil.
Fonte:
http://www.transportabrasil.com.br


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